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Nada mais normal do que um negócio tradicional ir parar na internet. Já o caminho inverso é um pouquinho mais raro. A necessidade de funcionários, estrutura física e mais alguns custos fixos adicionais podem assustar alguns empreendedores on-line, ainda mais quando o negócio vai “muito bem, obrigado” só na internet.

Um dos casos de “loja que saiu da URL e foi parar num CEP” que mais me chamou a atenção nos últimos dias foi o da Threadless. Uma loja, até então virtual, que comercializa camisetas com estampas “design based” /moderninha de modo colaborativo. Ou seja, o usuário envia a estampa e se aprovada, é produzida e vai pro site, assim os dois lados saem sempre ganhando. A coisa cresceu de uma maneira que no final de setembro, a Skinnycorp, empresa por trás da Threadless resolveu abrir um loja física em Chicago. Mas não foi só pegar um imóvel, contratar uns paguás, colocar os produtos na vitrine e esperar que caixa registradora começasse a tilintar. Muito pelo contrário, eles recriaram na loja real a bem sucedida loja on-line. Cada estampa tem sua prateleira e em cima de cada uma delas existe um monitor LCD com fotos, notas e comentários de usuários sobre a camiseta em questão. Espalhados pela loja, os manequins exibem também um monitor de LCD no lugar da cabeça exibindo nada mais nada menos que o seu rosto, um jeito sutil de dizer que aquela camisa vai ficar ótima em você. Tudo isso feito dentro de um loja-conceito cheia de modernices.

Os gastos extras de uma empresa para fazer o movimento virtual-real não é somente pirotecnia desnecessária, mas sim uma demonstração que ela entende mais do que ninguém do seu negócio: comunidade, interesses em comum, interatividade e outras palavras-chaves que em breve serão tão chavão nas empresas quanto sinergia.

Tornar os negócios virtuais em reais (sem trocadilho aqui, por favor) está ficando cada dia mais tentador e lucrativo. Sempre que vejo anúncio do Submarino na revista e no jornal fico pensando: “Ih! Te cuida Casas Bahia!”